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Resident Evil: A melhor adaptação da franquia para o cinema

Foto do escritor: Daniel Victor
Daniel Victor
há 4 minutos
2 min de leitura

Resident Evil (2026) de Zach Cregger

Por: Daniel Victor 

Uma das melhores coisas que me aconteceram durante meus estudos na área acadêmica foi entrar em contato com Linda Hutcheon e seu livro Uma Teoria da Adaptação. Nele, a autora defende que adaptar implica transformar, e que o adaptador não precisa permanecer preso às amarras de uma suposta "essência".


O reboot da franquia Resident Evil, nas mãos de Zach Cregger, não é propriamente "fiel à obra", mas utiliza seus elementos para criar uma experiência divertida. Ao unir terror e comédia, o diretor faz alusões aos de maneira inteligente e criativa.


Acompanhamos Bryan (Austin Abrams), um entregador de órgãos que recebe uma encomenda de última hora para o Hospital Geral de Raccoon City. O que deveria ser apenas mais uma entrega difícil devido às fortes nevascas que atingem a região transforma-se em uma corrida pela sobrevivência quando inúmeras criaturas atacam a ele e todos que cruzam seu caminho.


A direção é de Zach Cregger, e o roteiro, co-escrito por ele e Shay Hatten, transforma a narrativa como se estivéssemos na pele de um NPC do jogo tentando sobreviver ao caos. Bryan é um civil, e não um soldado especialista em matar. Ele erra tiros, comete erros bobos. Essa escolha aproxima o espectador da experiência ao sugerir uma pergunta simples: "O que faríamos se estivéssemos na mesma situação?”


O diretor acena para os jogos da franquia da Capcom de duas maneiras. A primeira é por meio da emulação de enquadramentos que reproduzem a perspectiva do protagonista nos games. Em determinado momento, a câmera assume a posição over the shoulder, recurso popularizado pela franquia a partir de Resident Evil 4. Em outro, adota o POV (point of view), numa clara alusão a Resident Evil 7 e Resident Evil Village.


A segunda maneira está na ambientação e nos elementos que evocam a experiência dos jogos. Há uma casa cuja atmosfera lembra Resident Evil 7, os becos de Raccoon City carregam muito da sensação de exploração presente em Resident Evil 3, enquanto os esgotos dialogam diretamente com cenários de Resident Evil 2. O filme mostra elementos icônicos da franquia, como a máquina de escrever, as ervas de cura e os locais onde os armamentos são armazenados. Falando em armas, a escassez de munição em determinados momentos reproduz uma das características mais marcantes da série da Capcom.

 

Porém, mais do que a questão da fidelidade, outro ponto que pode afastar os fãs mais exigentes é o tom cômico do longa. Cregger aposta na comédia em diversas cenas nas quais o protagonista, assustado, comete erros bobos. É uma tentativa de situar o espectador naquela realidade, levando-o a se perguntar se faria algo diferente caso estivesse na mesma situação.


No entanto, a decisão de intercalar terror e comédia não me incomodou. No cinema, a série ficou presa por seis filmes ao rosto de Milla Jovovich, que, a cada nova produção, dobrava a aposta na ação. Ter uma nova visão criativa, remetendo aos jogos à sua maneira, traz um frescor necessário à série.


Resident Evil intercala terror e humor sem perder de vista elementos presentes nos games da franquia. É um reboot necessário, que traz um novo olhar e um frescor bem-vindo a uma série que estava engessada.

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Para Amantes de Cinema

Persona Crítica. Propriedade Daniel Victor. Crítica de Cinema

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