O Drama: Quando o Fantasma do Passado passa a Assombrar um “Felizes para Sempre”
- Daniel Victor
- há 2 dias
- 3 min de leitura
O Drama (2026) de Kristoffer Borgli
Por: Daniel Victor

Quando o Principal Conflito do longa O Drama é apresentado para os personagens e para o espectador. Confesso que fiquei completamente instigado com a condução da narrativa tesão criada. Pois a revelação expõe um Fantasma do Passado que passa a Assombrar um “Felizes para Sempre”.
Na trama, acompanhamos Charlie (Robert Pattinson) e Emma (Zendaya), um casal de noivos apaixonados em seus últimos preparativos para seu matrimônio. Entretanto, durante uma brincadeira - confessar as piores coisas que fizeram na vida - entre nossos protagonistas os padrinhos do casamento Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie). Uma pesada revelação vem à tona por parte de Emma. A partir da confissão, dúvidas éticas e morais passam a assombrar as relações entre os personagens.
O longa de Kristoffer Borgli (Diretor, Roteirista e Editor junto a Joshua Raymond Lee), trata-se de um grande exercício narrativo, partindo de um conflito pessoal entre os personagens, para questões sensíveis aos EUA. Através dessa situação desconfortável, o filme faz uso das causas e consequências, conciliando drama e comédia de forma bastante instigante.
Apresentando o início da paixão entre os protagonistas. Desde cedo, o filme deixa claro que a relação não é pautada apenas na verdade. A forma que Charles conhece sua Emma já nos evidencia isso. Entretanto, quando a revelação vem à tona. O longa ressignifica cada tudo que o casal viveu e ainda viverá. Onde o caos e dúvidas, assombram um amor que ainda luta para se sustentar.
É de se elogiar como o Borgli faz uso da Linguagem Cinematográfica para criar uma obra tragicômica precisa. A edição utiliza flashbacks e inserções surreais de algo que pode ou não acontecer. A fotografia juntamente com objetos de cena gera significados ambíguos: por exemplo as polaroids e o boquê de flores do casamento. Um roteiro que desenvolve seus personagens (irei tocar nesse assunto mais a frente), onde as falas, gestos e ações são compreendidas pelo espectador, provocando o questionamento: “O que eu faria nessa situação?”
As atuações de todo elenco são incríveis. Mas o que mais me intriga são as características espelhadas (mesmo não proposital), que os protagonistas assumem no filme. Pois ambos, torna-se vítimas e “vilões” do conflito principal. Charlie fica amargurado psicologicamente, o que o faz cometer ações por impulso. Emma, por sua vez, é culpada pelo passado e todas as suas tentativas de redenção, vem em torno de dúvidas. Onde a atuação de Robert Pattinson seja mais ativa e de Zendaya reativa. Mesmo que o longa consiga equilibrar o protagonismo da dupla.
Tocando em um tema tão sensível para criação do seu conflito. Antes mesmo da cerimônia de casamento, o que nos sustenta o longa é o caos que causa e consequência que o longa faz de maneira precisa. Tornando praticamente impossível qualquer tipo de redenção, o que empobrece a conclusão do longa.
O Drama é um grande exercício de causa e consequência devido ao forte conflito pessoal que se eleva para um questionamento estrutural de um país. O tragicômico é feito de maneira precisa. Entretanto, o filme pode para que compremos o caos, pois, o longa não propõe redenção aos protagonistas. Fazendo o questionamento ao espectador: “O que eu faria nessa situação?”




Comentários