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O Convite: O caos divertido que mistura relacionamentos, aparências e desejos

  • Foto do escritor: Daniel Victor
    Daniel Victor
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura

O Convite (2026) de Olivia Wilde

Por: Daniel Victor

Relacionamentos em crise e casais que vivem conflitos confinados em um mesmo espaço já foram utilizados em inúmeras narrativas ao longo da história. No audiovisual, podemos citar a minissérie Cenas de Casamento (1973), de Ingmar Bergman, que ganhou uma versão americana, Scenes from a Marriage (2021), ou o longa Deus da Carnificina (2011), baseado em uma peça homônima.


Mesmo com histórias que já trabalharam esses temas tantas vezes, é sempre prazeroso assistir a uma obra com tanto vigor. O Convite consegue ser uma mistura de relacionamentos, aparências e desejos, todos unidos por um caos divertido que dosa humor e drama perfeitamente.


Baseado no longa espanhol Sentimental (2020), de Cesc Gay, a trama acompanha Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen), um casal com o relacionamento à beira do colapso. Na intenção de criar uma boa vizinhança, um convite é feito aos vizinhos do andar de cima, Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), para um jantar. No entanto, o que deveria ser um encontro tranquilo toma caminhos inesperados assim que a convivência, a sexualidade e antigos mistérios vêm à tona, transformando a noite de todos os presentes.


O roteiro de Will McCormack e Rashida Jones cria uma trama que flutua entre humor e drama com equilíbrio perfeito. Entendemos a tensão do relacionamento de Angela e Joe, o contraste entre os casais e os jogos de aparências que vão se desenrolando ao longo da história. O espectador é pego em inúmeras situações hilárias que logo passam a ser dramáticas (e vice-versa), sem uma quebra narrativa abrupta.


A direção de Olivia Wilde conduz esse caos criado pela tensão e torna a trama divertida. O primeiro desafio é não transformar o espaço cênico (o apartamento) em algo teatral. Então, a direção utiliza uma mise-en-scène com planos em que os personagens são centralizados e cria camadas nas quais a mudança de foco altera a perspectiva dos protagonistas das cenas. Mérito que deve ser compartilhado com a fotografia de Adam Newport-Berra.


O apartamento tem vários cômodos, o que ajuda a afastar um possível tom teatral, já que a base do longa são os diálogos. A montagem de Anthony Boys e Yorgos Mavropsaridis traz dinamismo às falas e potencializa os momentos desconfortáveis em uma confusão imprevisível. A trilha sonora de Devonté Hynes transita entre o cômico e o dramático de maneira criativa.

 

No entanto, a grande força do longa está na interação entre os personagens. Angela e Joe vivem um relacionamento em crise, enquanto Piña e Hawk são enigmáticos e mais abertos ao sexo. Essa dualidade proposital entre os casais vai ganhando novos contornos ao longo da trama, pois similaridades vão aparecendo a cada encontro.


O roteiro estabelece seus protagonistas, Angela e Joe. Então, a trama passa a desenvolver e resolver seus conflitos. Isso faz com que o roteiro, por mais que controle todo esse caos por meio de situações inesperadas, mantenha uma estrutura de três atos bem clara: estabelecimento, desenvolvimento e resolução. Esse tom confere um caráter didático à obra.


Se a estrutura didática está no cerne do longa, as situações inesperadas quebram essa padronização. O melhor exemplo está no convite, que, inicialmente, é apenas a base do conflito, mas ganha uma reviravolta que potencializa o humor e o drama do filme.


O Convite transforma relacionamentos, aparências e desejos em um caos divertido. Pode não ser inovador em sua temática, mas consegue ser tão acima da média que amei abraçar essa "confusão".

 











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Para Amantes de Cinema

Persona Crítica. Propriedade Daniel Victor. Crítica de Cinema

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