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Carinha de Um, Focinho do Outro: Em busca de um Novo Êxito. O novo longa da Pixar acerta em Momentos Caóticos

  • Foto do escritor: Daniel Victor
    Daniel Victor
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Cara de Um, Focinho do Outro (2026) de Daniel Chong

Por: Daniel Victor


Atualmente, existem praticamente “duas formas” que os estúdios dos EUA, atuam no Cinema: Franquias e Originais. Na primeira estão todas as Prequels, Spin-Offs, Remakes, Reboots e Sequências, que partem da “zona de conforto”, do que já deu certo (em sua maioria), com o público. Já a segunda, estão as Apostas, onde, entretanto, algumas dessas estão dentro de Fórmulas/Tendências, que também atuam no “porto seguro”, para reduzir o máximo possível algum tipo de fracasso.


Apesar de ser impossível analisar toda produção cinematográfica de um país em algumas linhas. As duas formas citadas tem sido uma realidade. A Pixar, estúdio de animação conhecido por ser sinônimo máximo de qualidade visual e narrativa.  Foi obrigada a mudar sua produção, depois de sucessivos fracassos comerciais, fazendo-a apostar em franquias. Contudo, Cara de Um, Focinho do Outro (Hoppers), trata-se de um longa original. E mesmo estando dentro da fórmula utilizada para novos projetos, seus Acertos nascem do que geralmente são os motivos do fracasso. Pois o Caos em que a história, personagens, mensagem e outros elementos do filme, foi o que me cativou como espectador.


Acompanhamos a história de Mabel Tanaka, uma garota amante da natureza. Contudo, quando Jerry, o prefeito da cidade onde a jovem mora, quer construir uma rodovia no meio de uma floresta. Cabe a nossa protagonista lutar pela preservação do local. Acidentalmente, nossa heroína encontra um experimento secreto da Doutora Sam (sua professora da Universidade). Um dispositivo que transfere a consciência de uma pessoa para um robô. No caso, o projeto estava sendo utilizado para observar a vida animal. Sem pensar duas vezes, Mabel transfere sua mente para um protótipo robótico (precisamente de um castor). Agora com um disfarce, ela tenta entrar em contato com os demais animais para impedir a tragédia iminente.


A Direção e Roteiro são de Daniel Chong (Jesse Andrews é Corroteirista). Onde esse é seu primeiro grande projeto. Dentro da Pixar, Chong trabalhou em diversos departamentos. Visualmente, o diretor mantém o padrão máximo de qualidade dos clássicos do estúdio. A iluminação, texturas, cores, movimentação dos personagens, o efeito da água... tudo é um grande deleite técnico.


O termo Hopper (nome original do longa), se encaixa mais com o dispositivo que transfere a consciência. Porém, a tradução Brasileira tentou utilizar uma expressão popular, com intuito de conexão com o público. O filme que tem uma clara mensagem de conscientização preservação ambiental, no decorrer da história, vai nos apresentando muitos plots e flutuando por vários gêneros. Esse roteiro caótico, conduz a trama para diversos lugares. Entretanto, a imprevisibilidade torna-se o fator de destaque. Em diversos momentos fui surpreendido, pois algumas cenas caminhavam para o clichê. Subvertendo a fórmula que os projetos originais vêm apresentando nos últimos anos.


Mabel segue a fórmula de personagens femininas que a Disney/Pixar estabeleceu com Rapunzel (Enrolados - 2010). Jovens determinadas, que conseguem resolver vários obstáculos sozinhas e utilizando suas habilidades. Contudo, muito atrapalhadas, onde seus objetivos, geralmente são a causa e solução dos conflitos. Antes que digam que “sempre foi assim”. A única “Princesa Disney”, que mais próxima dessas características é Mulan.


Nossa protagonista é uma jovem protagonista destemida e inteligente, porém, muito atrapalhada e com “pavio curto”. Quando está na versão “robô animal”, ela tenta reunir todos os reinos para salvar a floresta. O primeiro amigo que Mabel faz é Rei George. Um castor que é o “Rei dos Mamíferos”. Mabel sendo igualmente uma “castora” (O longa dá uma ótima explicação para isso), uma amizade rapidamente se estabelece. George é o “oposto perfeito” de Mabel: relaxado e enxerga o mundo com um olhar inocente.


A escolha de um castor como o grande líder, subverte o perfil de liderança que é estabelecido dentro do mundo das animações. Inclusive, os outros líderes dos outros reinos, também fogem dos perfis de força que o público está acostumado. Outra escolha interessante que longa faz é como mostra os animais de forma Antropomorfizada. O fato de animais conversarem entre si e os humanos não os entender é comum. Porém, a decisão visual de utilizar os olhos super expressivos (estilo característicos de Desenhos/Mangás), entre os animais, mas na perspectiva das pessoas, as pupilas se aproximarem da realidade. Torna essa “comunicação falha”, um ponto que será trabalhado mais à frente na película.


Contudo, a história tenta abraçar várias ideias, mas não desenvolve nenhuma de forma realmente de forma contundente. Pulamos de cena em cena, com muitos plots. O roteiro parece não ter foco algum, onde a linha que segura amarra todos os personagens, é justamente sua clara mensagem. Dando a impressão que alguns momentos “já assistimos”, em filmes tanto da própria Pixar e outras animações já consagradas.


Porém, o caos narrativo traz consigo uma imprevisibilidade que me agradou bastante. Teve momentos que me peguei rindo, pois não esperava que cenas que estavam caminhando para o clichê, tomassem rumos inesperados. Fazendo que o longa toque em vários gêneros cinematográficos, que deixam a animação um tanto estranha para o espectador infantojuvenil.


Cara de Um, Focinho do Outro é um acerto comparado aos últimos filmes da Pixar. Infelizmente, talvez nunca mais veremos o padrão de qualidade que o estúdio estabeleceu no passado. Esse original, dificilmente entrará no panteão dos clássicos, mas que diverte o espectador em momentos inesperados.

   

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Para Amantes de Cinema

Persona Crítica. Propriedade Daniel Victor. Crítica de Cinema

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