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Michael: Uma Cinebiografia dentro da “Fórmula do Sucesso”

  • Foto do escritor: Daniel Victor
    Daniel Victor
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Michael (2026) de Antoine Fuqua 

Por: Daniel Victor

Observando a produção e ritmo da Indústria Hollywoodiana nos últimos anos. Era esperado/inevitável que a cinebiografia de Michael Jackson um dia chegasse ao cinema. Entretanto, o que sempre me intrigou, era qual tipo de abordagem que sua imagem seria retratada. Quando nos referimos a persona do ícone pop, podemos utilizar igualmente termos positivos e negativos. Já que toda sua genialidade e revolução vieram acompanhadas de polêmicas e controvérsias.


Para um projeto tão desafiador, contar o nome de Graham King, como um dos produtores do filme, seria um enorme acerto. Pois, Bohemian Rhapsody (2018), é um dos grandes êxitos da carreira do executivo. Por mais que saiba do enorme sucesso de bilheteria e dos inúmeros prêmios (dentre esses alguns Oscars). Na minha opinião, a cinebiografia de Freddie Mercury é um enorme desserviço ao seu legado.


Era esperado que Michael, partisse da mesma estrutura narrativa da biografia do vocalista do Queen. Onde o grande conflito, seria utilizado como artifício, justificando todas as ações do protagonista. No entanto, mesmo que a fórmula seja repetida. O longa tem uma direção mais assertiva, parte do elenco com ótimas atuações e momentos icônicos, onde vislumbramos o “Rei do Pop”, em sua essência.


Acompanhamos sua infância (Juliano Valdi), onde ainda garoto é obrigado a unir seus irmãos para formarem The Jackson 5. Somos apresentados ao patriarca da família, Joseph Jackson (Colman Domingo), que por meio de uma relação tóxica e abusiva obrigava os seus filhos a serem o seu ganha pão. Já na adolescência e começo da vida adulta (Jaafar Jackson, sobrinho do astro), passamos a testemunhar como Michael Jackson se tornou Um dos Maiores Ícones da História da Cultura Pop.


A direção de Antoine Fuqua e roteiro John Logan criam uma cinebiografia dentro de uma fórmula já consagrada. Michael é desde a infância é visto como diferente dos demais e na sua adolescência e vida adulta, podemos testemunhar sua genialidade e revolução que ele causou em toda a cultura pop. Onde o grande conflito do protagonista é vencer as vontades e os abusos do grande antagonista: seu pai.


Quem conhece a história dos Jacksons, sabe que os abusos e relação tóxica eram uma triste realidade. No longa, todos os familiares sempre se referem a Joseph, apenas pelo primeiro nome. Os filhos não utilizam “Pai”. Esse distanciamento e autoridade através do medo pelo patriarca, é uma forma de mostrar ao espectador o quão hostil era o relacionamento familiar.


Entretanto, ao somente utilizar o pai como antagonista e conflito a ser vencido por Michael, por mais difícil que seja, empobrece a história. Pois, sempre que nosso protagonista conseguiu vencer seus medos (seu pai), o filme apenas mostra todas as genialidades e impactos que o artista teve em sua trajetória.


Você quer saber as ideias de como uma determinada música foi criada? Você quer saber como ele aprendeu a dançar e criar um estilo próprio? Você quer ver como os bastidores da fama? Você quer ver os momentos de shows icônicos? Tudo isso está presente no longa.


Assim como no longa Bohemian Rhapsody, apenas tinha um único conflito. No caso, todas as ações de Freddie Mercury, era devido seus “problemas não resolvidos com sua sexualidade”. Parecendo que o fato de ser homossexual, era o motivo por trás de sua genialidade e por seus comportamentos “exagerados”. Essa visão além de reducionista é preconceituosa. Pois, quem conhece a carreira do Queen e de Mercury, sabe que ele era bem resolvido com essa “questão”. Por isso considero a obra um enorme desserviço ao seu legado.


Pelo menos em Michael, atuação Jaafar Jackson é incrível nas performances. Sua semelhança física com Michael (seu tio), aumentando a imersão do espectador. Outro elemento que deve ser mencionado, é a escolha da direção não tentar copiar os planos e cortes, de alguns momentos icônicos da trajetória do artista. Sempre na linha tênue de mostrar o que já conhecemos e pelo menos tentar criar alguma novidade. Considero um trabalho mais valioso do colocar uma dentadura postiça e no final longa, recriar a apresentação no Live 8, sendo o suficiente para ser premiado com os Oscar de Melhor Atuação Masculina, como aconteceu a Rami Malek.


Fora os grandes momentos do artista. O outro desenvolvimento que o longa dos motivos que Michael a se tornar “um garoto no corpo de um adulto”, como uma forma de fuga infância roubada, representada em Neverland. Por mais Psique, seja demonstrada de forma quase didática, ela funciona no filme.


Por mais que em outros momentos, o roteiro também exagere no didatismo. Essas escolhas são propositais. O longa quer deixar claro a figura inocente e genial que Michael era. Onde seu único conflito era seu pai. Dessa forma a trama nunca adentra em temas polêmicos e controversos da vida do artista. A pergunta que eu faço ao leitor é: você esperava algo diferente?


Michael é uma cinebiografia dentro de uma fórmula já estabelecida. Para o espectador em busca do espetáculo, o longa o recompensará. Para aqueles que esperam um desenvolvimento mais profundo, não espere grandes respostas. No final, acho que o filme não faz jus ao tamanho do “Rei do Pop”.

 

 

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Para Amantes de Cinema

Persona Crítica. Propriedade Daniel Victor. Crítica de Cinema

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