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Cara-de-Barro: Um Body Horror competente em Universo Compartilhado inexistente

Foto do escritor: Daniel Victor
Daniel Victor
há 3 minutos
2 min de leitura

Cara-de-Barro (2026) James Watkins

Por: Daniel Victor

Ao término da sessão de Cara-de-Barro, dois pensamentos vieram à minha mente. O primeiro é que a DC, nos cinemas, é bastante eficiente quando produz filmes "solos". Coringa (2019) e Batman (2022) são excelentes exemplos. O segundo é que, não importa a nomenclatura, seja DCNU ou DCU, o universo compartilhado permanece inexistente.


Independentemente de qual seja o saldo da produção, para mim Cara-de-Barro é um acerto ao entregar um body horror competente e uma introdução eficiente à origem de um vilão. No entanto, quando penso que o filme poderia servir como um excelente impulso para sedimentar a ideia de que todas essas histórias compartilham o mesmo universo, resta apenas lamentar o quanto a DC parece completamente perdida.


Acompanhamos Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão em Hollywood que se torna vítima de um crime que desfigura seu rosto. Em busca de recuperar a própria vida, ele se submete a um tratamento experimental desenvolvido pela cientista Caitlyn Corr (Naomi Ackie), que envolve pele e células controladas por IA. No entanto, o experimento sai do controle, e o protagonista passa a usar sua nova condição para se vingar de todos aqueles que destruíram sua vida.


Dirigido por James Watkins e roteirizado por Hossein Amini e Mike Flanagan, responsável pela concepção da história (um dos principais nomes do terror contemporâneo), o longa consegue funcionar tanto como uma história de origem de vilão quanto como um competente body horror, entregando diversas cenas memoráveis.


Com uma estrutura de três atos bem definida, o filme se desenvolve de forma eficiente, apesar de seu didatismo. Acompanhamos a decadência, o experimento e a busca por vingança do protagonista progredirem de maneira cautelosa. Entretanto, o longa insiste em reforçar informações que o público já assimilou. Seja quando o personagem bate o rosto no chão durante uma partida de basquete, seja quando se corta apenas para evidenciar seu fator de cura, o roteiro recorre a explicações visuais redundantes.


Mas o que realmente salta aos olhos é a forma como a maquiagem, os efeitos visuais e os efeitos práticos criam uma experiência imersiva. A transformação de um homem em um monstro capaz de assumir diferentes formas e moldar o próprio corpo é retratada de maneira eficiente. Cada vítima morre de uma maneira criativa e vemos progressivamente a perda da humanidade em nosso protagonista.


No entanto, qualquer menção ao universo da DC ou, principalmente, ao Batman é quase inexistente. Sabemos apenas que a maior parte da trama se passa em Gotham, e nada além disso. Para um filme que apresenta a origem de um vilão que sequer figura entre os nomes mais relevantes da galeria do Homem-Morcego, a ausência de conexões mais concretas com o DCU evidencia o quanto a Warner Bros. ainda parece perdida em relação ao que pretende fazer com seus personagens.


Cara-de-Barro é um longa que entrega um bom body horror e reforça a percepção de que os maiores acertos da DC nos cinemas continuam sendo seus filmes solos, enquanto a construção de um universo compartilhado segue ineficaz.




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Para Amantes de Cinema

Persona Crítica. Propriedade Daniel Victor. Crítica de Cinema

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